Fui com a maior boa vontade do mundo ver o filme novo do Sean Penn, Natureza Selvagem (Into the Wild). Gosto dele como ator. Sem acompanhar muito de perto, simpatizo com o figura. Não vi nenhum dos outros dois filmes que ele dirigiu. Mas nunca ouvi alguém falar mal.
Baixei a trilha sonora composta pelo Eddie Vedder e me empolguei. É linda, recomendo. Rise, Hard Sun são as maiores novas canções que ouvi este ano. E o filme começa bem, com as palavras escritas pelo protagonista sobre a imagem, lembrando “Nome Próprio”. Mas o que parecia um recurso interessante em relação ao registro do filme e às anotações do personagem, se revela uma ferramenta de pura “introdução” a história do filme.
E grande parte das coisas acaba funcionando assim dali
A crítica à vida em sociedade proposta por Penn vai por água abaixo na medida em que ele nunca esquece dela, tudo se baseia e se justifica nela, ele não se livra das categorias, dos esquemas pré-determinados da famigerada “society”. A narração onipresente da irmã e os flashbacks da família tornam um filme que tematiza a liberdade um tanto esquemático.
Me fez pensar nos cinema brasileiro. Acho que este filme sofre de problemas parecidos. Mas não sei se é exatamente falta de coragem ou de clareza. Penn não deixa nada desamarrado. Os “clips” do rapaz se divertindo na natureza são a coisa menos pior do filme, ali procura-se uma sensação, a gente chega até aquele personagem por outro lugar, diferente da opressão-dominadora-da-sociedade-competitiva-capitalista. E o filme começa prometendo muito, tem diálogos muito bem filmados, fragmentando os corpos, não dando o todo, me instigou nos primeiros minutos – mas durou pouco. Desculpem o veneno, mas este filme faria o maior sucesso com a galera “E-Brigade”
Além do Vedder – que fica melhor se a gente não tenta entender todas as letras das canções – fica anotado o nome do fotógrafo Eric Gautier no meu caderninho. Ele fez o que pode pra deixar o filme lindo e interessante.
Adendo: curiosamente as críticas americanas que li foram super elogiosas ao filme. E as européias não. Acho que isso diz um pouco sobre as intenções políticas do filme e de uma parte da crítica americana. Não sei exatamente o quê.
